REDINHA [Zona de escalada Sra.da Estrela]

Redinha, ou Sra da Estrela como também é conhecida, é talvez uma das mais antigas zonas de escalada no centro de Portugal. Situada a meio caminho entre o Porto e Lisboa goza de uma localização privilegiada como um miradouro virado para o mar. As vias variam entre os 7 e os 20 metros e encontram-se espalhadas por uma franja de rocha com cerca de 400 metros de cumprimento. As vias variam entre o IIIº e o 8ª grau, sendo notoriamente uma zona de iniciação à escalada face ao numero de vias acessíveis.

As primeiras vias foram abertas com entaladores, por elementos da secção de montanha do Clube Campismo e Caravanismo de Coimbra (C.C.C.Coimbra), remontam a 1989, como é o caso do “Diedro dos Físicos” (6b) ou a “Fendilhona” (6a+). No mesmo ano começam ser equipadas as primeiras vias pela mão deste mesmo grupo.

É também pela mão destes elementos que será feita a divulgação inicial desta zona através dos, então muito conhecidos, encontros de escalada Trepa-Penedos” que duraram todos os anos 90. O primeiro que decorreu em Redinha foi em 1989 tendo ficado registado através da via de escalada com esse nome: “Trepa89” (6b+). Estes encontros juntavam muitos escaladores de todas as áreas do país aproveitando a excelente localização desta franja de rocha. Penso que será a localização  a meio do pais um dos principais factores do sucesso desta zona.

Além do C.C.C.Coimbra outros clubes aproveitaram o local para encontros. O Clube Nacional de Montanhismo – Norte com os “Pentatlos de Montanha” (que agregavam cinco actividades de montanha no mesmo local) ou ainda mais intensamente a secção de montanha do Clube de Campismo do Porto (C.C.P.) com muitas vias abertas e a organização de encontros de escaladores. Daqui tenho que salientar e prestar homenagem ao falecido Sérgio Martins, uns dos principais equipadores e promotores desta zona (e do vizinho Vale de Poios) durante os anos 90 e inicio deste século através do seu grupo “Maxaka”.

 

Outros clubes, foi o caso do Núcleo Escalada de Leiria (N.E.L.) e outros aos quais peço desculpa de não os mencionar, também muito contribuíram para o desenvolvimento deste local.

Infelizmente a popularidade fez que esta zona fosse também alvo de roubos maciços de material obrigado os equipadores a repor muitas das linhas. Felizmente esse flagelo parece estar mais calmo.

Mais recentemente, e graças a escaladores da zona, algumas das vias com material mais obsoleto estão a ser reequipadas o que permitirá a que algumas das mais repetidas continuem a ser escaladas com segurança.

Redinha conta com varias vias conhecidas a nível nacional como é o caso do “Bivaque do Caracol” (6a) ou “Camisola Magica” (7a+). Vias perseguidas por muitos ou simplesmente envolvidas de um certo misticismo ao longo dos anos.

É uma zona boa para nos deslocarmos com família, com excelente acesso de carro e proximidade ao mesmo, vias dos mais diversos graus de dificuldade e boas áreas nas bases das vias.

CAPAS DOS CROQUIS DE VÁRIOS ENCONTROS ORGANIZADOS AO LONGO DOS ANOS

Sectores

1-Fendilhona | 2-Caveira | 3-Camisola | 4-Parking | 5-Arvore | 6-Bivaque | 7-Igreja

Orientação – com orientação a oeste estas paredes é possível escalar todo o ano sem grandes dificuldades. Durante os meses mais quentes aproveitando a sombra da manhã e no inverno as solarengas tardes ao sol. O principal problema é o nevoeiro. Ao ter o mar a pouco mais de 20 kms em linha recta e ser a primeira barreira, o nevoeiro que entra condensa nesta franja rochosa deixando tudo molhado.

Água – Não existe abastecimento próximo. É necessário vir abastecido.

Comida – na aldeia de Redinha encontramos supermercado, padaria, café e restaurante onde é possível comer.

Dormida – É possível fazer campismo “selvagem” em vários locais junto às paredes sendo talvez o melhor junto à capela da Sra. da Estrela aproveitando a grande abóbada de rocha para nos proteger da chuva. Também existe na aldeia de Poios um alojamento de turismo rural.

Rocha – calcário branco-cinzento

Acesso – rápido e evidente desde Redinha seguindo a estrada em direcção à aldeia de Poios e a seguir para a Sra. da Estrela.

 

Agradeço ao Marco Inácio a cedência dos croquis.

Aproveito para solicitar a quem possa acrescentar pontos a este breve resumo da historia deste local que entre em contacto para que possamos não perder a historia da escalada em Portugal.


Croquis
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