PEÑA VIEJA [esporão dos franceses]

O conhecido esporão dos Franceses é uma clássica nos Picos da Europa. Aberto nos finais dos anos 60 é uma linha excepcional, de dificuldade acessível mas de grande envergadura onde praticamente não existem escapatórias e uma mudança de tempo pode ser muita complicada.

No dia em que a fizemos estava muito vento e o céu com bastantes nuvens ameaçadoras. Na espera de ver como as coisas evoluíam acabamos por entrar mais tarde na parede. Isto em conjunto com um engano na aresta, fruto de já estarmos no limiar da luz do final do dia, fez com que acabássemos já de noite. A sorte é que tínhamos “motorista” à nossa espera pois já chegamos a horas ao teleférico.

Ao longo do esporão encontramos zonas de rocha muito boa assim como outras de quase caos de rocha. Isto acontece essencialmente na aresta final. Apesar da via seguir por esporão este não é muito marcado pelo que por vezes pode ser fácil perdermo-nos na parede. É de todo aconselhável perder algum tempo a observar a parede desde os Prados de Aliva de forma a ter bem presente as diversas passagens.

Aproximação

A via inicia nos prados de Aliva que podemos alcançar de carro, através do estradão que liga Sotres a Espinama (10 minutos do estradão), ou pelo teleférico de Fuente Dé, passando pelo Collado da Vueltona, descendo para a zona dos prados e desviando para a base do esporão a meio da descida (30/40 minutos desde a estação superior do teleférico). No acesso de carro temos que ter em atenção que não podemos deixar o carro na beira do estradão pois estamos em pleno parque com acessos condicionados. O acesso através de Espinama é bastante vertical e só aconselhável para todo-o-terreno. A melhor solução é através de Sotres. Para estacionar a melhor solução será deixar o carro no hotel de Aliva que fica a cerca de 20 minutos da base

Subindo de teleférico temos que ter em conta os horários e o tempo de espera nas subidas que por vezes se podem alongar. Uma boa solução é subir na véspera e bivacar (sem tenda!) algures na zona superior dos prados escondendo bem as coisas antes de subir. Se formos de teleférico convém ser próximo do colo de Covarrobres para que não tenhamos que descer tudo e subir novamente no regresso.

A Via

Lance 1 – Depois de trepar os metros inicias fáceis, encordamo-nos e começamos a até ao início de um canal avermelhado (IIIº). Continuamos pelo canal até ao cimo e já em rocha acinzentada (1 pitão) montamos a reunião (+/- 50 metros). Não seguir para a reunião montada debaixo de uma tecto.

Lance 2 – Iniciamos a travessia para a esquerda, através de um terreno por vezes delicado, até à linha do esporão (IV+). Durante a travessia encontramos vários pitões. A seguir a esta, e depois de um ligeiro destrepe a seguir à linha do esporão, montamos a reunião. Não seguir mais pois cria muito atrito nas cordas.

Lance 3 – Da reunião subimos a direito procurando o percurso mais fácil seguindo um evidente diedro até ao mais alto possível (IIIº / IVº).

Lance 4 – Continuamos a subir recto até encontrarmos, sobre a direita, uma vira que em travessia nos leva ao cimo do “dado”, um grande bloco que nos serve de referência. Reunião no cimo do “dado” (III+).

Lance 5 – Do cimo deste seguimos a alinha do esporão até encontrarmos duas chaminés. Seguimos pela da direita (4/4+) até ao seu cimo onde encontramos um bom local para montar a reunião.

Lance 6 – Saímos da reunião para encontrar de imediato o primeiro passo mais difícil (5+ ???) protegido por dois pitões. Seguimos por terreno mais fácil (IVº), seguindo pela esquerda do fio do esporão, até encontrarmos uma reunião de dois pitões que podemos reforçar.

Lance 7 – Saímos da reunião sobre a sua esquerda para de seguida subir a direito até encontrar uma zona mais plana (1 pitão). A partir daqui, e após passar um passo mais difícil (5+), seguimos a linha da aresta. Continuamos até à base de um tecto onde montamos uma reunião frágil que convém reforçar.

Lance 8 – Contornamos o tecto sobre a esquerda descendo um pouco para logo seguir por uma placa (4+) que continuamos atá uma zona mais plana onde é possível montar a reunião. Podemos encontrar várias pontes de rocha que podemos usar.

Lance 9 – Saímos sobre a direita da reunião em direcção a um pitão e de seguida a uma fissura. (5+) onde podemos proteger. Continuamos pelos canalizos afastando-nos da fissura (4+) seguindo finalmente pela placa até à reunião (2 pitões).

Lance 10 – Seguir pela direita da reunião para continuar por uma pequena chaminé (IIIº) no cimo da qual montamos a reunião.

Lance 11 – Continuamos pela placa acima da reunião (1 pitão) para encontrarmos um passo (4º) que nos dá acesso a uma zona de blocos. Continuamos pela esquerda através de uma chaminé / Diedro que nos leva à reunião.

Lance 12 – Seguimos pela aresta que nos leva até aos gendarmes (IIIº) por baixo da parede Roja até montarmos reunião perto destes.

Lance 13 – Passamos por baixo dos gendarmes (4º) por uma zona descomposta (pitões). Montamos a reunião depois de destrepar uma pequena brecha após o segundo gendarme.

Encontramos agora um canal de rocha descomposta que seguimos até uma brecha na linha da aresta. Aqui escalamos um pequeno muro sobre a esquerda do canal que nos leva por terreno fácil até ao primeiro rappel (10m). Continuamos pela aresta até uma nova brecha que destrepamos. Após esta encontramos um “trilho” pouco marcado, que contornando a aresta propriamente dita pela direita, nos leva até ao cume.

Resta-nos a longa descida de Peña Vieja. Descemos inicialmente pela rampa inclinada com caminhos em zig-zag para, no fim desta, contornar pela esquerda o Jou até ao cimo do canal de Canalona. Seguimos por este até ao caminho entre o teleférico e a Cabana Verónica. Continuamos a descer até à estação superior do teleférico (1/1h30).

Se tivermos o carro nos prados de Aliva desviamos um pouco antes para o colo de Covarrobres.

Acesso Da povoação de Potes subimos em direcção a Espinama e depois para Fuente Dé e o seu teleférico.

Agua é necessário trazer agua pois não existe abastecimento perto das paredes

Dormida podemos bivacar próximo do acesso à parede

Rocha calcário bastante aderente e de uma forma geral bastante razoável na sua qualidade


Croqui

CASCATA MISARELA [via belavista]

A via Belavista é uma via de vários lances, totalmente equipados, na zona da Cascata da Misarela, Serra da Freita.

Com grande ambiente, e por vezes bem aérea, é talvez uma das ultimas vias do legado que nos deixou o excelente escalador Sérgio Martins.

CASCATA MISARELA [via do monitor]

Esta via aproveita o início da via Testemunha (primeiro lance usado habitualmente como entrada na via Splash) para depois seguir pela aresta, lance comum com a Belavista, para logo seguir pela direita desta.

CASCATA DA MIZARELA [Via Splash]

Esta via é considerada uma clássica nas existentes à volta do Porto e do norte de Portugal. Percorre a lateral da espectacular Cascata da Mizarela (ou Frecha da Mizarela como também é conhecida) localizada na Serra da Freita, perto de Arouca. É o local ideal para tomar contacto pela primeira vez com as vias de escalada clássica. Nós já perdemos a conta das vezes que a fizemos. Sem ser de dificuldade extrema é uma via muito agradável e com uma vista fantástica.

SERRA FREITA [Zona de Cabaços e Merujal – Misarela]

Acessos e História

As paredes de Cabaços e Merujal situam-se na Serra da Freita, perto de Arouca, também conhecida como Misarela. As duas tem o mesmo nome das povoações junto às quais se situam.