PICO ESPIGUETE [goulotte norte]


         

Nas várias vezes que desci pelo corredor norte linha sempre me chamou a minha atenção. Finalmente este ano (2026) lá surgiu a oportunidade. Isto num inverno estranho, que contrastou entre períodos de muita neve, com alturas com condições piores a outros anos muito mais secos.
Esta “pequena” goulotte / corredor é uma via bastante visível e atraente para quem realiza a subida ao Pico Espiguete pelo corredor norte. Especialmente na descida esta linha fica exactamente de frente na zona onde a norte curva para a esquerda. Apesar de atraente, é uma linha curta comparada com a grande mole que é o maciço do Pico Espiguete.

São cerca de 150 metros que criam uma alternativa para chegar ao cimo deste pico. Se compararmos com os restantes 800 de desnível que temos que efectuar antes de começarmos, muitos podem dizer que não vale a pena. Mas existem outros casos onde andamos mais para até fazermos menos metros de via. Um deles é a Serra de Gredos, onde fazemos mais de quatro horas de aproximação (desde a plataforma, claro) para realizarmos vias que tem uns 150 metros. É tudo uma questão de opção e gosto. Mas mesmo assim é uma linha interessante e com o seu compromisso. Talvez pela sua altitude está bastantes vezes em condições. Mas convém ter alguma certeza pois não deixa de ser desmoralizador fazer três horas de aproximação para nada…

PEÑA UBIÑA [norte directa]


         

 

 

A via “Norte Directa”, ou “Canal Central” como também é conhecida, é uma das linhas “clássicas” da face norte deste maciço. Em conjunto com a conhecidíssima “Norte Clássica” é uma das vias mais repetidas desta face.
Tal como a “Norte Clássica”, ou a “Arrieta-Pomeda”, a “Norte Directa” sobe alguns dos canais escondidos da face norte.
No que se refere à abertura existe uma “disputa” mais recente sobre quem, e quando, efectivamente a percorreu da primeira vez. O que é habitualmente conhecido é que foi aberta em 07 Janeiro 1979 por Santiago Álvarez, Gonzalo Suárez e Juan José Iglesias Arrieta (prolifero escalador dos anos 70 criador de linhas como a linha vizinha desta – Arrieta-Pomeda – ou o Corredor do Marquez na Torre Santa Maria de Enol).

No entanto há uns 10 anos, outro escalador da mesma época, Manuel Peña Rodriguez (na altura sem estas infindáveis partilhas de informação digital), veio dar a indicação que teria escalado esta linha com outro famoso escalador asturiano – Pedro Marcos Fierro – 11 Fevereiro 1973, seis anos antes da data até então reconhecida. Guerras que possivelmente nunca serão resolvidas.

Esta é uma via que com frequência dá a ideia de que não tem neve suficiente (apesar de nos últimos anos cada vez temos tido menos acumulações). É uma daquelas vias que é necessário entrar para termos a certeza. Especialmente por causa da zona do “Embudo” que não é visível de cá de baixo.

AIGUILLE DE ENTRÈVES [travessia]


       

Esta travessia é uma ultraclássica via do lado italiano da zona do maciço do Monte Branco. Com uma aproximação relativamente curta (40/60 minutos) desde estação superior do teleférico de Pointe Helbronner, esta via é muito procurada após dias de mau tempo – pois fica em condições relativamente rápido – ou quando este está incerto – pela facilidade de regresso. Este procura aumenta enormemente o numero de pessoas e o tempo na via. Algo que nos aconteceu e que nos fez demorar mais umas quantas horas pelas demoras e impossibilidade de ultrapassar os mais lentos.
No entanto é uma via exposta aos ventos já que é uma aérea aresta situada na beira do “abismo” que desce para o vale de Aosta e sem qualquer zona alta que a proteja, ficando exposta aos ventos que sobem pelo vale.
Apesar de ser muito aérea e afiada, e sem praticamente opções de escape, não tem uma dificuldade elevada e a rocha é excelente. Pode ser percorrida nos dois sentidos (o que por vezes pode provocar algum caos nos cruzamentos) sendo a direcção mais lógica, e habitual, a SW -> NE iniciando no Col d’Entrèves.
O ambiente é fantástico e com vistas excelentes entre o Monte Branco du Tacul, Brenva, Tour Ronde de um lado e todo o vale de Courmayer e Aosta do outro.
Podemos comparar com a sua “irmã” do lado francês, a Arête des Cosmiques.

PEÑA UBIÑA [mari-paz]


         

Esta via é uma das percorre a procurada face nordeste de Peña Ubiña. Como algumas vias desta face a Mari-Paz cruza ou acompanha a conhecida, e muito percorrida, Elixir de la Suerte.
É uma via não muito difícil no geral, mas que o lance mais delicado – o segundo – é onde podemos ter mais complicações com as alterações climáticas dos últimos invernos e a ausência de quantidade de neve que o cobra.
No seu percurso temos que ter algum cuidado na ligação acima da travessia da Elixir de forma que não entremos no corredor errado e compliquemos esta parte. Nesta parte, e em anos mais secos, podemos encontrar muita rocha o que pode tornar a escalada menos agradável. O passo principal nesta zona está marcado como IIIº mas também é possível encontrá-lo tapado com neve ficando mais agradável.

PEÑA UBIÑA [arrieta-pomeda]


         

 

 

A via Arrieta-Pomeda é uma das poucas que atravessam a parede norte da Peña Ubiña. Situada na sua parte esquerda, é (que eu tenha conhecimento) a última via deste lado antes a aresta Este. É uma via muito pouco repetida em comparação com a sua vizinha à direita – a Directa Norte – ou a repetidíssima Clássica Norte – pelo que praticamente não se encontra informação sobre ela. Em comparação com Clássica Norte, a Arrieta-Pomeda é ligeiramente mais difícil, mas também – como tivemos oportunidade de verificar – mais influenciável pelo mau tempo. Enquanto que a Norte Clássica é essencialmente rampas e corredores de neve, a Arrieta-Pomeda tem várias zonas de rocha e misto que, quando nevadas, as tornam mais complicadas.
A linha da via atravessa da esquerda para direita por uma serie de rampas e canais sendo que a parte final é um zona de rocha, curta mas obrigatória, de IVº, que termina na parte final a aresta Este.