AIGUILLE DE GLIÈRE [modern times]


       

Esta agulha está situada na zona das Aiguilles Rouges na ladeira norte de Chamonix. Tem uma aproximação muito curta desde a estação superior do teleférico La Flégère o que permite optar por não madrugar se não nos apetecer ou ser uma opção para um dia que não esteja perfeito em termos meteorológicos como foi o nosso caso. Está situado ao lado da conhecida Agulha do Index e da sua muito popular aresta SE.
Tem uma rocha Gneiss excelente e está equipada na totalidade com parabolts e chapas inox. Com uma altitude relativamente modesta (2620m) e uma boa orientação solar são vias bastante procuradas. De ambos os lados desta linha existem mais algumas vias de dificuldade similar. Algumas estão completamente equipadas, mas existe pelo menos um caso em que só existem pontos nas passagens onde não é possível proteger com entaladores.

 

FRAGA SUADOURO [arroz de trombas]


       

Depois de ter aberto a via “Linha de Pandora” foi altura de olhar para outras linhas que há alguns anos me andavam a chamar…

Uma delas era um evidente, e atraente, diedro que decorre à direita do terceiro lance da “Pandora”, e que é bem visível da zona das placas do sector Tomatinhos.

Depois de indagar um bocado por aí, parecia que nunca tinha sido escalada por alguém… No final do ano passado lá fui espreitar … e acabou por ser muito melhor do que estávamos à espera. Agora faltava ligar o chão à base deste excelente diedro. Com alguma limpeza da placa abaixo, e de algumas fissuras que permitiam proteger a material, encontramos uma linha que inicialmente nos parecia bastante acessível. Resolvi abrir de baixo, protegendo nas fissuras existentes, e colocando material se necessário.

Estes lances acabaram por ser algo mais duros do que estávamos a prever… e mais trabalhosos. Quando abrimos de baixo em zona de placa nem sempre é fácil e cómodo puxar a máquina para colocar os pontos necessários. Além disso a fissura acabou por também ser mais puxada do que tínhamos achado pelo que resultou uma via bem mais interessante e completa do que inicialmente pensávamos. Encontramos desde fissuras a proteger com o Aliens azul (quase todas as fissuras do primeiro lance são a micro-friends) até entalamentos de meio corpo onde o friend Black Diamond #7 é bem-vindo!

Mais uma linha saída desta caixa de pandora!

 

APROXIMAÇÃO


Tal como no acesso normal para o sector dos Tomatinhos, entramos no caminho que sai um pouco antes de chegarmos à Albergaria STOP no caminho para o Pé do Cabril. Logo a seguir a passarmos no portão que impede o gado de descer à povoação (ter muita atenção em o manter fechado tal como o encontramos), desviamos à esquerda em vez de seguir em frente como seria para o sector Tomatinhos. Continuamos pelo caminho junto ao muro passando uma zona mais fechada e com pinheiros.

Quando começamos a sair da parte com pinheiros, e a ter o fim da parede do Suadouro acima das nossas cabeças, cortamos à direita, saindo do caminho, e procurando umas mariolas que nos indicam o início do desvio de acesso. Este faz uma volta de 180º em relação à direcção que vínhamos para atravessar, mais ou menos na horizontal, no sentido de um pequeno carvalhal na base da parede. O caminho aqui está mais ou menos limpo no meio da vegetação serrada e marcado com mariolas no seu início. Quando entramos nele viramos à esquerda para seguir um caminho mais ou menos limpo que, com algumas voltas, nos deixa na plataforma onde, è esquerda, temos o início da “Linha de Pandora, e à direita, ao lado de uns blocos empilhados, o início da via.

Acesso estacionamento no Google Maps

 

VIA


Lance 1 (40m) – este inicia na placa à direita de uma sequência de blocos empilhados. Uma chapa na placa indica-nos o caminho. Um pouco mais acima encontramos uma fina fissura do lado esquerdo que nos permite escalar e proteger de tempos a tempos. Com a excepção de um ponto, que marca a travessia para a direita da via “Terra de Piratas” , toda a fissura se protege com micro-friends. Seguimos a fissura até esta fechar e se transformar na placa que liga a um pequeno diedro (um ponto). Continuamos pelo diedro com atenção aos sítios onde proteger. Nem sempre é possível fazê-lo e alguns surgem meios escondidos e pouco evidentes. Quando o diedro se transforma numa fissura cega seguimos pela placa protegida por chapas até alcançar a reunião montada (dois pontos) à direita de uma evidente fissura.

 

Lance 2 (25m) – escalamos a fissura de entalamento à esquerda da reunião protegida por um ponto na parede da direita. Este é o passo mais duro da via. A fissura não é confortável para nos entalarmo-nos convenientemente e habitualmente está suja devido a ser canal por onde corre água quando chove. É possível fazer o passo em A0. Por cima dele encontramos uma plataforma e à esquerda é possível identificar de imediato outra fissura, esta mais acessível e fácil de proteger. No cimo desta estamos na base do inconfundível diedro. Uma chapa que reforçamos com um entalador marca a segunda reunião.

Lance 3 (10m) – este lance não há nada a dizer! Só temos que seguir o bonito diedro inclinado até chegarmos à terceira reunião da “Pandora” (2 pontos) que temos no chão logo acima de sairmos do diedro.

 

DESCIDA


Podemos descer de várias maneiras. Uma é pelas reuniões da própria via de regresso à base (do cimo até R1 30m e daqui ao chão 40m). Outra hipótese é escalar os dois últimos lances da “Pandora” e alcançar o cimo do Suadouro. Daqui atravessamos até ao cimo das vias do sector Tomatinhos. Deste ponto podemos seguir pelo rappel longo (primeiro um de 10m seguido por outro de 60m até à base). Para quem tem uma única corda de 60m é também possível descer através dos rappeis da via “Mundo dos Muggles” (primeiro o de 10m comum ao de 60m seguido por três de +/- 25m sobre a direita).

 

 

Informações

Água é necessário levar água pois não existe abastecimento perto das paredes. Dada a orientação da parede é ela pode ser extremamente quente nos dias de verão mais quentes. Mas entrando cedo é possível escalar a via à sombra antes do sol lhe bater.

Dormida pousada da juventude, parque campismo no Campo do Gerês ou outros alojamentos nesta localidade

Rocha bom granito com diedros, fissuras e placas de granito nos dois últimos lances. Dada a orientação e localização é uma via que pode demorar uns dias a secar após um periodo de chuva.

Orientação a parede está virada na sua maioria a sul pelo que não é aconselhável para os meses de calor. Nestes dias é possível fazer as linhas deste lado estando bem cedo na parede pois tem sombra até meio da manhã. É ideal para escalar durante os meses de invernos após uns dias secos onde se consegue estar de t-shirt

Previsão Meteorológica

              

 

 

 

 

SERVOZ [zona escalada – chamonix]


Servoz é uma zona de escalada entre Chamonix e Saint-Gervais e perto da localidade com o mesmo nome. Com uma aproximação nula, pois é mesmo junto à estrada e o estacionamento é outro lado, é o local ideal para uma manhã de recuperação activa ou para ir com a família. A parede está orientada a oeste pelo que tem sombra durante a manhã, início da tarde, mas é bastante quente nas tardes em que o calor se faz sentir. Por outro lado é bastante protegida do vento pelo que em dias frescos pode ser uma boa opção.

AIGUILLE DE L’M [frêtes des charmoz]


       

Esta aresta é uma óptima solução para um dia curto de actividade ou quando queremos fazer algo acessível e como treino para projectos mais complicados. Pode ser bastante procurada pelo que não será estranho encontrar várias cordadas. No entanto é fácil conseguir ultrapassar cordadas mais lentas pelo que não é provável que fiquemos “presos” se formos mais rápidos. Os passos mais difíceis não ultrapassam o 4º e quase sempre podem ser contornáveis. A aresta é possível de ser feita de botas ou sapatilhas (sempre que a época o permita pela ausência de neve, essencialmente na descida).
A rocha é de boa qualidade e boa de proteger caso achemos necessário. Corda de 30 metros, 2/3 friends e 2 expresses chegam para proteger os passos. Praticamente todo o percurso é possível fazer usando unicamente a corda e os blocos da aresta.

CACHÃO DA VALEIRA [esporão do arco]


Estas vias encontram-se no conhecido, e fantástico, Cachão da Valeira, zona encaixada do vale do rio Douro junto à barragem do mesmo nome durante o Encontro de Escalada “Abre Vias” em Outubro 2025. Este local era um dos principais desafios no transporte do vinho do Porto quando este era feito em barcos Rebelos. Dado ser uma zona estreita existiam rápidos que exigiam todos os esforços para fazer subir e descer os barcos através deste troço do rio.

Antes da construção da actual barragem esta parte foi parcialmente demolida numa obra colossal que decorreu nos anos de 1780-92 de forma a tornar o rio navegável. Este feito está registado numa inscrição em relevo que se encontra no limite das águas na margem sul do rio. Também foi neste local que faleceu o Barão de Forrester num acidente de barco. Tudo isto mudou com a construção da barragem em 1971. Esta submergiu cerca de 40 metros das paredes que formam as margens.
Esta zona tem enorme potencial com paredes que vão até aos 200 metros. Nos últimos tempos o local tem sido desenvolvido pelo Alberto Teixeira, proprietário da Douroway na Ferradosa.