
Esta via situa-se próximo da estação de ski de San Isidro e sobe ao cimo da Peña La Capilla, cimo perto do conhecido Pico Torres. Peña La Capilla é um dos picos do maciço da Sierra de Valverde, que faz parte da “base” do Pico Torres. Curiosamente a rocha deste maciço é calcário, o que é totalmente diferente do quartzito do vizinho Pico Torres.
A via é composta por duas secções ligadas por uma zona de trepada fácil. A primeira só tem um lance, e é onde encontramos a maior dificuldade. A segunda secção tem três lances mais acessíveis. Tirando os pitões que encontramos no primeiro lance, e em alguns nas reuniões existentes em conjunto com pontos de rocha, a via está totalmente desequipada.
APROXIMAÇÃO
A aproximação é relativamente curta. Cerca de 1.5km abaixo do Colo de San Isidro, na vertente das Asturias na direcção de Oviedo, encontramos um local de estacionamento junto ao acesso da Braña de Torres (que um pouco como as nossas Brandas, povoações onde os pastores passavam o verão juntamente com o gado). Daqui subimos por um caminho cimentado para passar a Braña e continuar pelas laterais das cascalheiras que descem de Valverde, sempre com tendência para a esquerda em direcção à cova na lateral da parede.
VIA
Lance 1 (40m) – Este lance segue uma placa da esquerda para a direita, cortada em algumas alturas por zonas com erva. Ao longo do largo só é praticamente possível de proteger nos pitões existentes. O lance não é difícil até ao passo de 6a mas é exposto (entre IV e Vº). Como não quase não conseguimos reforçar entre os pitões, por vezes a distância entre eles é grande o que faz com que uma queda em alguns locais pode ter consequências não muito agradáveis. Até ao pitão que protege o passo de 6 grau encontramos uns 4 ou 5 pitões em uns 30 metros. O passo de 6a é uma passagem em placa para a direita (um passo de confiança). Quando fizemos havia um cordino que facilitava identificar o local de baixo conforme subíamos. Antes do passo já vemos a reunião com uns cordinos numa boa ponte de rocha que podemos reforçar com entaladores.
Entre o fim deste lance temos uma zona de trepada entre partes de erva e rocha sem dificuldade – cerca de 60m – que nos deixa na base do esporão que forma a segunda parte da escalada. É possível ir desencordado mas fica ao critério de cada um…
Lance 2 (40m) – este primeiro lance seguimos mais ou menos o terreno mais acessível próximo do fio do esporão. Não encontramos qualquer ponto fixo até à reunião com um pitão e uma ponte de rocha.
Lance 3 (40m) – a seguir a esta reunião temos uns metros de terreno fácil que nos deixa numa evidente fissura. No cimo desta entramos uma zona de placa fácil mas onde não possível proteger. Seguimos a placa em direcção a ligeiro diedro. À esquerda deste existe uma reunião em pontes de rocha (com aspecto que foi usada para rapelar) mas o local é desconfortável pelo que é melhor seguir. Voltamos a ter outra placa com uma ponte de rocha na zona alta. Acima desta temos nova reunião numa pequena plataforma e com uma boa ponte de rocha que é possível reforçar.
Lance 4 (60m) – continuamos por um evidente diedro à direita da reunião que termina numa grande plataforma de erva. A partir daqui encontrei várias variantes entre passagens de placa expostas até trepes mais acessíveis. Nós optamos por seguir pela linha mais acessível e segura que termina na aresta final. Daqui só temos uns trepes fáceis até chegarmos a terreno fácil.
DESCIDA
Da última reunião vamos continuar por terreno fácil e vários canais que nos deixam cada vez mais alto. Um pouco antes do cimo de Peña La Capilla temos um canal que contorna o torreão final e que nos dá acesso à subida normal pelo lado do Pico Torres. Esta saída é um pouco mais longa, e dá um pouco mais trabalho, do que algumas descrições que encontramos nos transmitem. Para quem conhece o acesso poderá ser mais rápido e claro, mas ir à descoberta em terreno de grandes blocos é sempre divertido.
Depois de chegarmos colo que existe entre o maciço de Valverde e o Pico Torres continuamos a descer até aos prados em frente ao Picos Torres. Aqui entramos no vale à direita, e que contorna um dos últimos cimos da Sierra de Valverde, para continuar um caminho que nos trás de volta à Braña de Torres. È preciso alguma atenção de forma a não nos perdermos em alguns dos sítios já que o mato é por vezes muito alto. Levar o percurso de GPS no telemóvel pode ser boa ideia …
Informações
Água – é necessário levar água pois não existe abastecimento perto das paredes.
Dormida – podemos dormir num dos vários alojamentos do Puerto de S.Isidro, que na época de inverno são mais caros, ou tentar encontrar um apartamento numa das povoações antes deste. Em Bustiello existe um albergue mais barato, mas que temos a informação que pode fechar em 2024. Do lado de Puebla de Lillo temos um parque de campismo com bungalows que pode ser uma opção mais interessante pois deste lado existe mais oferta de restaurantes e o acesso a S.Isidro é mais curto.
Rocha – neste local existe uma situação bastante curiosa pois enquanto esta via é em calcário, logo ao lado encontramos a parede do pico Torres que é na totalidade em quartzito. De uma forma geral a rocha é de óptima qualidade.
Previsão Meteorológica

