CACHÃO DA VALEIRA [esporão do arco]


Estas vias encontram-se no conhecido, e fantástico, Cachão da Valeira, zona encaixada do vale do rio Douro junto à barragem do mesmo nome durante o Encontro de Escalada “Abre Vias” em Outubro 2025. Este local era um dos principais desafios no transporte do vinho do Porto quando este era feito em barcos Rebelos. Dado ser uma zona estreita existiam rápidos que exigiam todos os esforços para fazer subir e descer os barcos através deste troço do rio.

Antes da construção da actual barragem esta parte foi parcialmente demolida numa obra colossal que decorreu nos anos de 1780-92 de forma a tornar o rio navegável. Este feito está registado numa inscrição em relevo que se encontra no limite das águas na margem sul do rio. Também foi neste local que faleceu o Barão de Forrester num acidente de barco. Tudo isto mudou com a construção da barragem em 1971. Esta submergiu cerca de 40 metros das paredes que formam as margens.
Esta zona tem enorme potencial com paredes que vão até aos 200 metros. Nos últimos tempos o local tem sido desenvolvido pelo Alberto Teixeira, proprietário da Douroway na Ferradosa.

FRAGA SUADOURO [linha de pandora]


       

Este lado da Fraga do Suadouro tem sido esquecido face ao sector dos Tomatinhos. Muito possivelmente o aspecto limpinho da zona de placas do sector Tomatinhos versus o aspecto “musgoso” de toda a parede à esquerda tenha grande influencia. Parte deste aspecto “verde” que esta parte da parede tem deve-se à sua orientação mais virada a norte o que faz com esta face receba muito menos sol, especialmente durante os meses mais frios e húmidos.
Com vontade de descobrir que tesouros poderiam estar por baixo da sujidade resolvemos fazer uma investida. O que se pensava ser algo fácil acabou por levar sete dias inteiros de limpezas e preparações, distribuídos ao longo de vários meses com a colaboração de umas dez pessoas!

No entanto o que surgiu valeu a pena o esforço… Algo muito diferente do que habitualmente podemos encontrar nesta fraga estava ali à espera de ser descoberto: fissuras e diedros. E quase todos eles possíveis de proteger com entaladores.
Com as surpresas que foram que foram surgindo a cada passo (sujidade, blocos soltos, formigueiros, terra e mais terra…) o nome de Pandora e a sua caixa encaixava aqui na perfeição pelo que assim ficou: Linha de Pandora.
Mas tal como na caixa a esperança manteve-se e uma excelente via surgiu.

PEÑA LA CAPILLA [pilar del trasgu]


      

Esta via situa-se próximo da estação de ski de San Isidro e sobe ao cimo da Peña La Capilla, cimo perto do conhecido Pico Torres. Peña La Capilla é um dos picos do maciço da Sierra de Valverde, que faz parte da “base” do Pico Torres. Curiosamente a rocha deste maciço é calcário, o que é totalmente diferente do quartzito do vizinho Pico Torres.

A via é composta por duas secções ligadas por uma zona de trepada fácil. A primeira só tem um lance, e é onde encontramos a maior dificuldade. A segunda secção tem três lances mais acessíveis. Tirando os pitões que encontramos no primeiro lance, e em alguns nas reuniões existentes em conjunto com pontos de rocha, a via está totalmente desequipada.

 

 

APROXIMAÇÃO


A aproximação é relativamente curta. Cerca de 1.5km abaixo do Colo de San Isidro, na vertente das Asturias na direcção de Oviedo, encontramos um local de estacionamento junto ao acesso da Braña de Torres (que um pouco como as nossas Brandas, povoações onde os pastores passavam o verão juntamente com o gado). Daqui subimos por um caminho cimentado para passar a Braña e continuar pelas laterais das cascalheiras que descem de Valverde, sempre com tendência para a esquerda em direcção à cova na lateral da parede.

 

VIA


Lance 1 (40m) – Este lance segue uma placa da esquerda para a direita, cortada em algumas alturas por zonas com erva. Ao longo do largo só é praticamente possível de proteger nos pitões existentes. O lance não é difícil até ao passo de 6a mas é exposto (entre IV e Vº). Como não quase não conseguimos reforçar entre os pitões, por vezes a distância entre eles é grande o que faz com que uma queda em alguns locais pode ter consequências não muito agradáveis. Até ao pitão que protege o passo de 6 grau encontramos uns 4 ou 5 pitões em uns 30 metros. O passo de 6a é uma passagem em placa para a direita (um passo de confiança). Quando fizemos havia um cordino que facilitava identificar o local de baixo conforme subíamos. Antes do passo já vemos a reunião com uns cordinos numa boa ponte de rocha que podemos reforçar com entaladores.
Entre o fim deste lance temos uma zona de trepada entre partes de erva e rocha sem dificuldade – cerca de 60m – que nos deixa na base do esporão que forma a segunda parte da escalada. É possível ir desencordado mas fica ao critério de cada um…

Lance 2 (40m) – este primeiro lance seguimos mais ou menos o terreno mais acessível próximo do fio do esporão. Não encontramos qualquer ponto fixo até à reunião com um pitão e uma ponte de rocha.

 

 

Lance 3 (40m) – a seguir a esta reunião temos uns metros de terreno fácil que nos deixa numa evidente fissura. No cimo desta entramos uma zona de placa fácil mas onde não possível proteger. Seguimos a placa em direcção a ligeiro diedro. À esquerda deste existe uma reunião em pontes de rocha (com aspecto que foi usada para rapelar) mas o local é desconfortável pelo que é melhor seguir. Voltamos a ter outra placa com uma ponte de rocha na zona alta. Acima desta temos nova reunião numa pequena plataforma e com uma boa ponte de rocha que é possível reforçar.

Lance 4 (60m) – continuamos por um evidente diedro à direita da reunião que termina numa grande plataforma de erva. A partir daqui encontrei várias variantes entre passagens de placa expostas até trepes mais acessíveis. Nós optamos por seguir pela linha mais acessível e segura que termina na aresta final. Daqui só temos uns trepes fáceis até chegarmos a terreno fácil.

 

DESCIDA


Da última reunião vamos continuar por terreno fácil e vários canais que nos deixam cada vez mais alto. Um pouco antes do cimo de Peña La Capilla temos um canal que contorna o torreão final e que nos dá acesso à subida normal pelo lado do Pico Torres. Esta saída é um pouco mais longa, e dá um pouco mais trabalho, do que algumas descrições que encontramos nos transmitem. Para quem conhece o acesso poderá ser mais rápido e claro, mas ir à descoberta em terreno de grandes blocos é sempre divertido.
Depois de chegarmos colo que existe entre o maciço de Valverde e o Pico Torres continuamos a descer até aos prados em frente ao Picos Torres. Aqui entramos no vale à direita, e que contorna um dos últimos cimos da Sierra de Valverde, para continuar um caminho que nos trás de volta à Braña de Torres. È preciso alguma atenção de forma a não nos perdermos em alguns dos sítios já que o mato é por vezes muito alto. Levar o percurso de GPS no telemóvel pode ser boa ideia …

 

 

Informações

Água é necessário levar água pois não existe abastecimento perto das paredes.

Dormida podemos dormir num dos vários alojamentos do Puerto de S.Isidro, que na época de inverno são mais caros, ou tentar encontrar um apartamento numa das povoações antes deste. Em Bustiello existe um albergue mais barato, mas que temos a informação que pode fechar em 2024. Do lado de Puebla de Lillo temos um parque de campismo com bungalows que pode ser uma opção mais interessante pois deste lado existe mais oferta de restaurantes e o acesso a S.Isidro é mais curto.

Rocha neste local existe uma situação bastante curiosa pois enquanto esta via é em calcário, logo ao lado encontramos a parede do pico Torres que é na totalidade em quartzito. De uma forma geral a rocha é de óptima qualidade.

Previsão Meteorológica

              

 

 

 

VEGACERVERA [mejor fumarla que pacerla]


         INFO GERAL VEGACERVERA

Esta via situa-se no Sector Canal de Vegacervera próximo da ponte sul. Para aceder temos que atravessar o rio antes de chegarmos à ponte sul (quem segue a estrada de sul para norte). Se o rio está alto, o inverno ou após períodos longos de chuva, poderá ser um problema para as vias dos sectores deste lado.

A outra solução para aceder é através do próprio canal. Para tal é necessário cometer uma “ilegalidade” (pelo que deixo ao critério e responsabilidade de cada um a decisão de a seguir). Acima da ponte sul encontramos uma pequena barragem. Ao lado desta existe um canal por ela é suposto desviar a água. Com frequência as comportas estão fechadas e o canal fica seco. Nessa altura é possível “saltar” as vedações e entrar dentro do canal. Seguimos até chegar à primeira abertura que sai na base desta via. Esta parte é em túnel pelo que será melhor levar um frontal. Recordo que se trata de um canal de descarga pelo que é da responsabilidade de cada um optar ou não por este acesso.

No que se refere a toda a informação geral sobre Hoces de Vegacervera e outras vias podem consultar através do link no botão acima.

VEGACERVERA [lucifer]


         INFO GERAL VEGACERVERA

Situada junto à ponte sul do vale esta via é uma excelente linha de contacto com o ambiente característico de Hoces. Tem uma aproximação nula e um grau bem acessível. Ideal para o dia de chegada ou para encadear em conjunto com outras no mesmo sector.

No que se refere a toda a informação geral sobre Hoces de Vegacervera e outras vias podem consultar através do link no botão acima.