SERRA FREITA [PR7 + PR15 + PR16]

GPS


Há muito tempo que andava com vontade de unir os vários pequenos percursos marcados que existem à volta de Albergaria das Cabras na Serra da Freita.

Eles são três: o PR7 – NAS ESCARPAS DA MIZARELA com 8 kms, o PR15 – VIAGEM À PRÉ-HISTÓRIA com 17 kms e o PR16 – CAMINHADA EXÓTICA com 9 kms (que actualmente foi alterado para o Trilho de S. Pedro Velho). São percursos relativamente curtos, indicados para conhecer esta parte da serra da Freita. Alguns deles já tem algum desnível, mas nada substancial. Infelizmente estão tão juntos que se sobrepõe uns aos outros. Foi essa proximidade que me fez pensar: “isto dava era para fazer um trilho único!”.

Resolvi começar pelo PR 15, o mais longo mas também o com menor desnível. A primeira parte sai do parque em direcção à aldeia de Albergaria das Cabras para de seguida entrar no planalto propriamente dito. Sempre achei fantástica esta parte do planalto (especialmente antes de “plantarem” as torres eólicas e que felizmente quase não vi durante esta volta por causa do nevoeiro) por nos lembrar as imagens que temos da Escócia. Estes morros meios escondidos pelo nevoeiro, que no inverno a chuva miudinha e o vento, ainda mais semelhanças acrescentam.

Aproximo-me da aldeia de Castanheira passando pelo Monte Calvo e seguindo por uma das partes do trilho menos claras. Não sei se é falta de sinais ou se eles foram destruídos. No entanto com algum nevoeiro a fechar não vai ser fácil ver os que existem à distância…

Ao chegar perto da aldeia de Castanheira subo o morro que dá acesso a uma (para mim) das mais curiosas aldeias desta zona: Cabaços. Vindo por este percurso é que se percebe que ela foi construída ao lado de uma pequena bacia por onde passa um ribeiro tendo parte dos campos sido colocados precisamente neste local. Esta bacia não é visível de lado nenhum a não ser do alto que acabamos de subir. Cabaços ainda é extremamente rural e isso é muito visível nas pessoas, ruas e casas por onde passamos. Apesar da proximidade com as outras aldeias parece estamos em outro “mundo”.

Depois de passarmos Cabaços seguimos novamente para perto de Albergaria para entra na parte do PR seguinte. O PR7 faz uma volta circular pelo marco mais conhecido desta zona: a cascata da Fecha da Mizarela. Esta cascata é considerada a maior queda directa de água de Portugal. Com cerca de 70 metros de desnível na sua lateral é percorrida por uma das mais conhecidas vias de escalada do norte de país.

Este trilho passa pela zona de escalada de Cabaços e segue por um curioso e aéreo caminho em direcção novamente a Castanheira passando a meia encosta e com algumas correntes em passagens mais “expostas”. Daqui iniciamos a descida para o rio Caima e para a aldeia de Ribeira. Esta zona foi muito afectada pelos incêndios tendo ardido a ponte e casas desta aldeia, que neste momento se encontra praticamente abandonada.

Após passarmos a ponte o caminho segue durante um tempo quase horizontal com o rio para logo a seguir fazer a dura subida até ao miradouro da Fecha da Mizarela. O caminho sobe íngreme por entre a típica vegetal local. Talvez seja por esse motivo que este bocadinho se vai aguentando e resistindo aos incêndios que o cercam. Passamos o miradouro e entramos novamente no planalto que liga ao Merujal novamente através do PR15.

Ao chegar a Merujal entramos no último percurso, o PR16, que á uns anos estava bastante mal marcado. Ao contrário dos outros dois anteriores, este percurso segue quase na totalidade por antigos estradões, alguns ainda em uso mas outros abandonados e a fechar ou parcialmente destruídos pelas chuvas.

A segunda parte deste percurso (no sentido que eu o fiz) é definitivamente a mais interessante. Mantendo ainda a vegetação este segue por caminhos antigos no meio das árvores até atingir a capela da Senhora da Lage e passar novamente junto a Merujal.

Faltava a parte de ligação até ao parque de campismo onde tinha deixado o carro. Para isso subi o vale que passa nas suas traseiras, e que dá acesso ao parque de merendas do Vale da Raiz, para a seguir descer o caminho paralelo à estrada e finalmente chegar carro 7h30 depois de ter começado, com mais 30 km nos pés e 1000 metros de desnível nas pernas. 🙂

Carta militar nº 155