FRAGA SUADOURO [vias de escalada]


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Em 2021 cumpriram-se 35 anos da abertura da primeira via nesta parede. Assim decidi recuperar as vias e história existente desta pequena parede, aproveitando para acabar alguns dos meus antigos projectos e abrir algumas novas linhas.
O Suadouro é uma parede localizada dentro do Parque Nacional Peneda-Gerês, estando por isso sujeita às regras em vigor dentro desta área protegida. Além disso está dentro de terrenos de baldios pertencentes à povoação de Campo do Gerês.

 

NOTA

A Fraga do Suadouro encontra-se em área de terrenos de baldios. Sendo terreno particular, e de forma a mantermos o que tivemos nos últimos quase 35 anos, é de todo obrigatório que nos saibamos comportar de forma a não perdermos o acesso a esta parede. Não deixar lixo, não destruir estruturas ou plantas, não fazer ruídos intensos e não incomodar pessoas ou animais são comportamentos que devemos ter.

 

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A história da escalada nesta parede remonta a 1986 com a abertura da via das Fissuras (hoje mais conhecida pela via dos Tomatinhos) durante um dos estágios organizados pelo Clube Nacional Montanhismo – Norte (CNM) em parceria com o Clube Alpino Francês (CAF). Ainda hoje esta via é uma referência e motivo para a deslocação de escaladores. Tendo uma dificuldade acessível, e apesar do espaçamento e colocação de pontos exigir já algum à vontade, é uma via excelente para iniciar nas lides da escalada clássica e de protecção móvel. Além disso as vistas só por si merecem escalar aqui pelo menos uma vez.

A seguinte via a ser aberta foi a via do Alain. Não conseguimos confirmar se o nome inicial da via era efectivamente este. No entanto, e com os anos, foi por este que acabou por ficar conhecida. Depois de estas primeiras vias houve alguns ensaios com corda por cima ao longo dos tempos em alguns locais. Em 1989 abriamos a “Fissura de Venús”, uma fissura do direita da parede que se abriu ainda usando tricams para proteger.

 

VIA TOMATINHOS

 

Para além da abertura da Via de Trás no anos 90, não existiram (que saibamos) mais aberturas até meados dos anos 2000. Nessa altura fiz as primeiras investidas em várias linhas e equipei o primeiro lance do que viria a ser “Mundo dos Muggles”, via que foi terminada no inicio de 2022.

Uma das únicas desvantagens (ou não) desta parede (para além do possível mato do caminho) é a sua exposição solar. Dada a sua localização e orientação (virada a sul e protegida do vento norte) é um local quente ao ponto de ser possível escalar em t-shirt em pleno Dezembro. Isso faz que nos meses mais quentes não é local pelo qual se deva optar.

 

VIA DE TRÁS e FISSURA DE VENUS

APROXIMAÇÃO


Apesar de uma aproximação relativamente curta, o caminho de aproximação percorre zonas onde o crescimento de matos é grande, especialmente por serem zonas escorrência ou linhas de águas das chuvas. Isso fez com que o trilho de acesso fosse sendo alterado ao longo dos anos. Por vezes tem tendência a ficar fechado quando não há muita frequência de escaladores.
O caminho actual segue uma linha que poderá ser mais difícil de fechar completamente, pelo menos em certas zonas. O trilho inicia antes da primeira linha de água que atravessamos quando fazemos o caminho para o Pé-do-Cabril e segue a meia encosta até à base  Está em grande parte marcado por mariolas.

A zona de onde saem quase todas as vias situa-se na base de um evidente esporão existente sobre a direita da parede.

 

AS VIAS


Neste momento existem 6 vias abertas:

1 – O mundo dos Muggles – (V+/6a) – 1º lance – Carlos Araújo + Monica Monteiro em 27/02/2008 e 2º+3º lance – Carlos Araújo + Carlos Alheiro em Março 2022
Três lances de cerca de 30 metros de placa equipados. Necessárias 8/10 expresses por lance. Reuniões equipadas para descer

2 – Tomatinhos – (IV+ ou 6a pela saída da direita) – Alberto Teixeira + Pedro e Francisco Pacheco em 1986
É também conhecida por Via do Suadouro apesar do nome não ser esse. Via de escalada clássica.
Primeiro lance é uma placa equipada. No final desta podemos usar a reunião equipada ou seguir logo pela fissura à esquerda. Seguindo a fissura passamos para outra mais vertical que dá acesso a zona de placa mais suja e onde podemos montar a reunião numa ponte de rocha de um bloco pousado ou um pouco mais à frente, em duas fissuras paralelas. O lance seguinte continua por uma fissura onde habitualmente cresce uma hera que às vezes é preciso curtar, para ir fazer reunião num diedro largo com algumas giestas na base. A seguir subimos o diedro e temos duas opções. Podemos seguir à esquerda pela saída original e contornar até atingir o cimo. Ou continuando pelo diedro-chaminé com saída pela placa à direita. A saída pela direita é exposta e a queda pode ter consequências. Também é possível seguir a direito pela chaminé

3 – Los Tomatones – (6b) – Carlos Araújo + Carlos Alheiro em 26 Março 2022
Via equipada e mantida de placa sendo necessário 18 expresses

4 – Via Alain – (6c) – Alain Dartheiron + Terry Henry + Thierry Henri em 1986
Não conseguimos confirmar se é o nome inicial. No entanto, com os anos, foi por este que acabou por ficar conhecida
Lance que inicia na primeira reunião da via Tomatinhos e segue pela direita desta. Está equipada nos passos mais difíceis a seguir à reunião após os quais é necessário friends pequenos e médios até chegar à reunião

5 – Via de Trás – (IV+) – Pedro Lima e companheiros nos anos 90
Via clássica totalmente desequipada com excepção da reunião

6 – Fissura de Vénus – (6b+) – David Moutinho + Carlos Araújo em 12/1989
Via clássica totalmente desequipada que segue marcada fissura até encontrar um azevinho.
Neste momento é necessário ter uma corda colocada da primeira reunião dos rappeis de forma a conseguir sair

 

VIA MUNDO DOS MUGGLES E LOS TOMATONES

 

DESCIDA


Depois da escalada a descida pode ser feita por um dos rappeis que equipei há uns anos no topo da parede. Um desce directamente pela frente em direcção ao local de onde chegamos pelo trilho de aproximação. Para alcançarmos descida propriamente dito temos que realizar um pequeno rappel (+/- 5 metros) para alcançar a segundo (50 metros). Isto evita o atrito da corda no cimo, o que iria dificultar muito a recuperação da corda. Para quem esteja com cordas mais pequenas ainda é possível dividir mais usando a primeira reunião da via do Alain.

Mais recentemente, e com a abertura da via “Mundo dos Muggles”, a reuniões desta ficaram equipadas o que permite rapelar do cimo com uma unica corda de pelo menos 60 metros.
O outro rappel desce pela via de trás até à sua base, de onde podemos descer a pé.

 

Info

Água é necessário levar água pois não existe abastecimento perto das paredes. No centro do Campo do Gerês encontramos um tanque com boa água

Dormida parque campismo no Campo do Gerês, ou então em outros alojamentos na mesma área

Rocha placas de granito com alguns cristais e fissuras onde por vezes encontramos alguma sujidade

Material – para a via a “Fissura de Vénus” convém trazer friends com números médios e grandes repetidos. Para a via normal e restantes um jogo de entaladores e de Friends chega perfeitamente