AIGUILLE DE ENTRÈVES [travessia]
Esta travessia é uma ultraclássica via do lado italiano da zona do maciço do Monte Branco. Com uma aproximação relativamente curta (40/60 minutos) desde estação superior do teleférico de Pointe Helbronner, esta via é muito procurada após dias de mau tempo – pois fica em condições relativamente rápido – ou quando este está incerto – pela facilidade de regresso. Este procura aumenta enormemente o numero de pessoas e o tempo na via. Algo que nos aconteceu e que nos fez demorar mais umas quantas horas pelas demoras e impossibilidade de ultrapassar os mais lentos.
No entanto é uma via exposta aos ventos já que é uma aérea aresta situada na beira do “abismo” que desce para o vale de Aosta e sem qualquer zona alta que a proteja, ficando exposta aos ventos que sobem pelo vale.
Apesar de ser muito aérea e afiada, e sem praticamente opções de escape, não tem uma dificuldade elevada e a rocha é excelente. Pode ser percorrida nos dois sentidos (o que por vezes pode provocar algum caos nos cruzamentos) sendo a direcção mais lógica, e habitual, a SW -> NE iniciando no Col d’Entrèves.
O ambiente é fantástico e com vistas excelentes entre o Monte Branco du Tacul, Brenva, Tour Ronde de um lado e todo o vale de Courmayer e Aosta do outro.
Podemos comparar com a sua “irmã” do lado francês, a Arête des Cosmiques.
APROXIMAÇÃO
Estando em Chamonix a melhor opção é atravessar o túnel do Monte Branco até Courmayer, para subir no primeiro teleférico Skyway 360º para a Pointe Helbronner.
Se não temos carro, também podemos subir no teleférico para Aiguille du Midi e efectuar a travessia do Vallé Blanche nas cabines que ligam à Punta Helbronner.
A opção do lado italiano tem a vantagem de mais facilmente subirmos no primeiro teleférico pois tem menos gente do que do lado francês. Além disso, do lado francês, ainda teremos que efectuar a travessia de 5 kms nas cabines, o que acrescenta mais algum tempo entre viagem e esperas. Uma outra vantagem é, se estamos um grupo, o custo da travessia de carro do túnel, mais a subida do teleférico italiano, é mais barato do que a viagem pelo teleférico da Aiguille du Midi mais as cabines sobre o Vallé Blanche.
Da estação de teleférico da Pointe Helbronner só temos que seguir o passadiço que nos dá acesso ao glaciar du Dient Giant. Daqui contornamos primeiro a base do Grand Flambeau e a seguir da Aiguille de Toule, onde descemos um pouco, para voltar a subir para o Col d’Entrèves. Aqui já vemos toda a aresta e o local de início.
PERCURSO
Ao chegar ao Col d’Entrèves o início da aresta é evidente. Inicialmente encontramos uma zona mista de grandes blocos e neve que vamos seguindo sempre acompanhando a aresta que inicialmente é mais larga.
Conforme vamos seguindo pela aresta, e ela vai ficando mais estreita e temos que trepar mais pelos blocos que vamos encontrando. Em determinada altura fica mais afiada e o esporão de rocha torna-se um “fio de navalha” onde no extremo encontramos uma ponta de rocha que parece uma barbatana. É aqui onde muita gente tira a estética foto que torna esta aresta tão conhecida. Nós fizemos a aresta num dia em que ela estava extremamente cheia de gente e optamos por não estar à espera da “famosa” foto e seguimos em frente.
Para continuar temos duas hipóteses. Se vamos tirar a famosa foto (e temos que ir à barbatana de rocha e regressar atrás) podemos descer logo um pequeno e vertical canal que existe à esquerda da aresta e que dá acesso a um pequeno colo mais abaixo. Se não vamos à foto, ou não queremos complicar a descida, um pouco antes de chegarmos à descida que descrevemos antes, passamos para o lado direito da aresta para seguir um pequeno rebordo que vai descendo, e acompanhando o esporão, até atingirmos a base do mesmo, a passagem para o lado contrário e para o colo que referi antes.
Neste colo encontramos o primeiro passo mais “complicado”, e que nos dá acesso à base do resto da aresta. Desta zona mais alta passamos para a zona mais afiada da aresta. Seguimos a aresta colocando os pés sobre o lado esquerdo da aresta. Mais à frente encontramos um ponto fixo antes uma bossa de rocha que encontramos na aresta e onde encontramos um passo ligeiramente mais complicado. Ao descer esta bossa voltamos encontrar dois pontos. Um para apoiar a descida e outro para fazermos segurança aos nossos parceiros de cordada enquanto estamos na plataforma que existe na base deste.
Continuamos a seguir a aresta, que agora começa a subir para a Agulha de Entreves, e alcançamos uma reunião equipada (bastante confortável e com uma plataforma para os pés) abaixo da passagem mais difícil da travessia (neste sentido). Esta passagem encontra-se à direita da reunião e é um diedro onde temos um ponto que protege a escalada com umas cintas e que permitem fazer o passo em A0. O passo não é especialmente difícil e agarrando à direita do diedro encontramos algumas presas “escondidas” que facilitam. Mas estar de botas (e crampons se for necessário) não ajuda.
Por cima deste passo encontramos uma plataforma que nos conduz à próxima reunião (também equipada para permitir os rappeis de quem vem no sentido contrário) montada num grande bloco em bico que forma a agulha mais alta.
Desta atravessamos por uma zona bastante “afiada” e que dá acesso a nova reunião equipada. Este é bastante desconfortável e fica situada mesmo na ponta da agulha de rocha seguinte. Daqui iniciamos a descida. Esta pode ser em rappel ou destrepando, segundo as condições e o à-vontade de cada um. No final deste rappel/descida encontramos nova reunião equipada, montada num bloco um pouco mais alto e do lado esquerdo de quem rapela.
A partir daqui, e apesar desta reunião também estar equipada para rapelar, é melhor optar por os primeiros rapelarem, colocarem algum ponto intermedio, e o ultimo destrepar seguro pela corda que os primeiros vão recolhendo. A outra opção, talvez mais rápida, é os primeiros também destreparem. Optar por rapelar e recuperar a corda há a grande possibilidade da corda ficar presa em vários locais pois a descida não é directa. A meio deste lance/rappel existia um ponto uns 20m abaixo da reunião equipada que permite desviar a corda. Será também uma questão de como estiverem as condições.
No final deste destrepe chegamos a uma zona da aresta mais plana e mais larga que permite andar bem. Umas vezes sobre a neve, outras a trepar e a destrepar blocos de rocha, chegaremos ao final da aresta onde uma zona de rocha um pouco mais complicada nos deixa novamente no glaciar. Só teremos que descer até encontrar novamente o caminho que fizemos na aproximação e regressar ao teleférico.
(© Fotos dos participantes)
Teleférico – Em 2024 era possível reservar o teleférico da Agulha do Midi no dia anterior através do site mas era sempre necessário ir às bilheteiras para marcar a cabine de subida. Para o da Punta Helbrunner também confirmar em no site as condições e a compra Monte Bianco.
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