PICO ALMANZOR [norte clássica]


       

A via Norte Clássica do Pico Almanzor é, talvez, um dos percursos mais míticos da Serra de Gredos.
Situado no circo do mesmo nome, o Pico Almanzor (ou Plaza del Moro Almanzor, como também é conhecido) é o cume mais alto desta serra e do sistema montanhoso central – com 2592m – e é relativamente próximo de Madrid. Escalado pela primeira vez em setembro de 1899 por M. González de Amezúa y José Ibrián Espada (apesar o pastor que os acompanhou indicou que já teria estado anteriormente neste cimo). A primeira ascensão invernal foi realizada em 1903 por Ontañon y Abricarro.

O circo de Gredos é conhecido por manter-se em boas condições mesmo quando à sua volta existe pouca neve. Com aquecimento global é cada vez mais difícil encontrarmos uma das coisas que mais caracterizava este local: as cascatas de gelo. Sendo que algumas há vários anos que não se formam.
Mas isto não impede (para já) que não possamos encontrar outras vias em perfeitas condições, como é o caso da Norte Clássica.

 

Para chegarmos a este circo temos que nos dirigir à Plataforma de Gredos, local de estacionamento e fim de estrada. Temos acesso a esta desde Hoyos del Espino, a ultima povoação antes. Lembro que desde 2024 o acesso à plataforma está regulado existindo uma barreira cerca de 4 kms. Assim, e especialmente nos dias de fim-de-semana, ou chegamos muito cedo (ou tarde no final do dia) ou teremos que aguardar que desçam carros da plataforma para haver lugares vagos e podermos subir. Isso pode demorar até horas se o dia for um domingo de bom tempo e muita neve. Além disso a subida, durante as horas em que existe controle, tem um custo (em 2025) de 3€ por viatura.

 

 

 

Para chegarmos a este circo temos que nos dirigir à Plataforma de Gredos, local de estacionamento e fim de estrada. Temos acesso a esta desde Hoyos del Espino, a ultima povoação antes. Lembro que desde 2024 o acesso à plataforma está regulado existindo uma barreira cerca de 4 kms. Assim, e especialmente nos dias de fim-de-semana, ou chegamos muito cedo (ou tarde no final do dia) ou teremos que aguardar que desçam carros da plataforma para haver lugares vagos e podermos subir. Isso pode demorar até horas se o dia for um domingo de bom tempo e muita neve. Além disso a subida, durante as horas em que existe controle, tem um custo (em 2025) de 3€ por viatura.
Para realizarmos esta via podemos sair directo da plataforma ou ir dormir ao Refúgio Laguna Grande de Gredos (Elola). Na primeira hipótese teremos que realizar uns 22 kms e 2700 metros de desnível acumulado de uma única vez. Também nos obriga a sair da plataforma cerca das 4 horas da manhã de forma a conseguirmos estar na base da via cedo e conseguirmos boas condições.
A segunda hipótese torna as coisas mais suaves, e melhores, para quem, como nós, temos uma viagem longa desde Portugal…). Assim no primeiro dia, e sem pressa, fazemos a aproximação ao refúgio, onde jantamos e dormimos, e no segundo dia realizamos a via e regressamos à plataforma. No inverno, se tentamos efectuar reservas mesmo nos dias anteriores ao fim de semana, existe a forte possibilidade de não haver lugar no refúgio. Se for o caso podemos montar tenda próximo do refúgio e contratar neste o jantar e o pequeno-almoço. Isto permite não levarmos mais peso. Alerto, no entanto, que estamos em zona natural protegida e é proibido acampar. Pelo pessoal do refúgio não há problema (especialmente se jantarmos lá…), mas ao deixar a tenda montada enquanto vamos fazer a via há risco de podermos ter uma multa… É que deixo à consideração de cada um. Nós não tivemos problemas, e houve mais tendas montadas, mas o risco existe.

 

APROXIMAÇÃO


Para chegar ao refúgio só temos que seguir o percurso bem marcado desde a plataforma. Não existe muito desnível (cerca de 400m) mas o percurso é sempre mais longo do que aquilo que temos ideia. A passagem nos Barrerones pode ser “fresca” se há vento e o caminho mais chato se não neve e vamos de botas rígidas. Andar com elas num caminho feito de grandes blocos não é a coisa mais agradável… Depois de passarmos Los Barrerones é só descer para a lagoa. Se esta está bem congelada (e convém certificarmo-nos disso!) é sempre a direito. Caso contrário temos que contornar pela esquerda seguindo um caminho por uma zona de blocos.

Para chegarmos à via convém sairmos a horas do refúgio de forma a estarmos na sua base da via ao nascer do sol (a aproximação é cerca de 1h30) e assim apanharmos as melhores condições. Como vamos de noite é de todo aconselhável levarmos o percurso de GPS para evitarmos perdermo-nos no caos de blocos e assim perdemos tempo na aproximação.
Desde o refúgio o acesso à base à norte do Almanzor segue o caminho da via normal. Seguimos em direcção ao canal da Portilla Bermeja e subimos este até ao momento em que ele abre à direita para o corredor da Portilla del Crampon. Por vezes existe muito gelo nestes dois canais o que dá origem a acidentes. Pelo menos dois portugueses já faleceram nesta zona. Convém ter toda atenção até porque será por aqui que vamos descer.
Ao chegarmos à base rochosa do Almanzor começamos a contorná-la pelos campos de neve à direita até chegarmos ao início da via.

 

A VIA


NOTA: A descrição seguinte é com condições sem encontrar muito gelo, nem a via muito coberta de neve dura. Caso as condições sejam de mais gelo convém prever mais parafusos de gelo para os lances e reuniões.

Lance 1 (40m) – no primeiro lance podemos encontrar um ressalte mais vertical (de uns 60º) sendo o restante uma rampa de neve de cerca 50º. Ao fim de 20/25m encontramos à direita um canal no fundo do qual já vemos o ressalte que marca esta via. Muitas descrições dizem para subir mais uns 10m por este canal e montar reunião na base do ressalte. Outras mencionam fazer uma reunião intermedia na zona de rocha em frente à primeira rampa que subimos e depois mudar para a base do ressalte. Aqui podemos encontrar um pitão e uma cinta.
No entanto, e dado que a reunião na base do ressalte é incomoda, mais difícil de montar e sujeita a levar com o escalador que esteja a abrir a cascata caso ele caia, pareceu-nos mais lógico montar a reunião na zona de rocha à entrada do canal e daí seguir directo até à reunião seguinte depois de fazer o ressalte. Com cordas de 60m ainda sobram alguns metros. O único senão é ser menos “fotogénico” para tirar fotografias de quem estiver a abrir o ressalte. Mas é uma escolha pessoal entre comodidade e segurança versus poder tirar fotos. No croqui a reunião antes do ressalte está marcada como R1bis.

Lance 2 (55m) – saímos da reunião em direcção ao ressalte (6/7m de 80º, ou III+/IV se este está seco). Estando coberto de gelo podemos proteger neste com um ou dois parafusos de gelo. Se estiver mais seco é possível colocar material nos blocos à direita do ressalte. Existem várias descrições a mencionar pitões nesta zona mas não encontramos nenhum. E também não os achamos necessários já que o material fica bem nas fissuras existentes. Após o ressalte encontramos um campo de neve (50º) que nos deixa num ilhote de rocha que divide o campo em dois canais. Nós vamos continuar a via pelo da esquerda. Montamos reunião nesta rocha com um friends #1 e entaladores. Por vezes encontramos aqui algum pitão. No campo de neve pode ser útil uma ancora para proteger.

Lance 3 (55m) – Seguimos pelo canal à esquerda da reunião (55º). A meio desde podemos encontrar um ligeiro ressalte mais vertical, mas sem grande importância. Se tiver nevado recentemente é possível que as fissuras de rocha deste lance estejam cobertas, o que torna mais difícil de proteger a não ser em neve. Aqui volta a ser útil a estaca. Quando temos a corda a acabar encontramos uma fissura horizontal do lado direito do canal, que por estar por baixo de um bloco, habitualmente está limpa e visível. Montamos aqui a reunião com dois friends pequenos.

 

Lance 4 (20m) – Já estamos próximo do cimo e só nos resta acabar o canal que temos vindo a subir e que nos leva ao colo existente entre a ponta este e oeste do Almanzor. A meio podemos encontrar novamente um ligeiro ressalte e continuamos a poder proteger nas paredes laterais de rocha.
Ao chegar ao colo encontramos a reunião de onde se rapela para descer pela via normal. Podemos fazer reunião aqui desde que não haja muita confusão de outras cordadas a querer subir ou descer. Senão existem várias fissuras onde podemos colocar material para uma reunião.
Para chegar ao cume só temos que passar entre os dois grandes blocos que formam o cimo para subir os últimos metros do lado leste do cume.

Descida – Do cume voltamos à argola de rappel mencionada anteriormente de onde realizamos a descida pelo canal da via normal. É possível rapelar até próximo da Portilla del Crampon (que irá estar do lado direito quando rapelamos), no entanto isto aumenta a dificuldade de recuperar a corda e o risco de ela ficar presa. A não ser que haja muito gelo, penso que seja mais aconselhável rapelar até à altura em que o canal que abre (são cerca de 30m pelo que podemos usar uma única corda) e daí atravessar em diagonal para a portilla. Se o terreno estiver difícil, ou o à-vontade for menor, é sempre possível colocar uma corda como apoio e ir protegendo nos diversos blocos desta face.
A partir da Portilla del Crampon só temos de descer pelo seu canal até cruzarmos com o caminho que fizemos de acesso à base e regressar ao refúgio. Ao longo da parte inicial do canal é possível encontrar alguns rappeis que nos permitem descer caso esta zona esteja mais dura ou com gelo (o que por vezes acontece).

 

 

(© Fotos dos participantes)

Info

Aguapodemos abastecermo-nos no refúgio

Dormida no Refugio Laguna Grande de Gredos (ou Elola) ou realizando bivaque próximo. Se fazemos directo da plataforma podemos ficar no hotel ALTOGREDOS em Hoyos del Espino

Rocha granito de excelente qualidade

Previsão Meteorológica