PICO ESPIGUETE [goulotte norte]
Nas várias vezes que desci pelo corredor norte linha sempre me chamou a minha atenção. Finalmente este ano (2026) lá surgiu a oportunidade. Isto num inverno estranho, que contrastou entre períodos de muita neve, com alturas com condições piores a outros anos muito mais secos.
Esta “pequena” goulotte / corredor é uma via bastante visível e atraente para quem realiza a subida ao Pico Espiguete pelo corredor norte. Especialmente na descida esta linha fica exactamente de frente na zona onde a norte curva para a esquerda. Apesar de atraente, é uma linha curta comparada com a grande mole que é o maciço do Pico Espiguete.
São cerca de 150 metros que criam uma alternativa para chegar ao cimo deste pico. Se compararmos com os restantes 800 de desnível que temos que efectuar antes de começarmos, muitos podem dizer que não vale a pena. Mas existem outros casos onde andamos mais para até fazermos menos metros de via. Um deles é a Serra de Gredos, onde fazemos mais de quatro horas de aproximação (desde a plataforma, claro) para realizarmos vias que tem uns 150 metros. É tudo uma questão de opção e gosto. Mas mesmo assim é uma linha interessante e com o seu compromisso. Talvez pela sua altitude está bastantes vezes em condições. Mas convém ter alguma certeza pois não deixa de ser desmoralizador fazer três horas de aproximação para nada…
APROXIMAÇÃO
Deixamos o carro no estacionamento de Pinollano a meio caminho entre Cardaño de Abajo e Cardaño Arriba, para a seguir o estradão que sobe pelo norte do Pico Espiguete. Passamos o desvio para o pequeno refúgio existente na base da face NE e continuamos pelo estradão.
Antes do estradão / caminho efectuar uma curva para a direita, em direcção à cascata de Mazobres, saímos à esquerda para iniciar a subida contornando o contraforte norte que serve de limitação à nossa direita.
Vamos subindo até a via norte fazer uma curva para a direita. No cimo desta o percurso fica um pouco plano. A linha da Goulotte Norte surge à esquerda deste sítio. O melhor é equipar-nos aqui já que no início, local da R0, é demasiado vertical para isso.
Esta linha é bastante evidente e é difícil falharmos o percurso. Estando a via com neve fresca (como nós a encontramos) é fácil não ver as fissuras. Não são muitas e são de uma forma geral finas, o que favorece a que quando há neve, fiquem tapadas. Levar parafusos de gelo é obrigatório para proteger e realizar algumas das reuniões. Ter uns dois pitões de rocha (finos e universais) é bastante aconselhável para efectuar alguma das reuniões. Uma estaca (não uma ancora) pode também ser útil.
A VIA
L1 (50m) – A R0 é mesmo à direita da entrada. Daqui arrancamos pelo canal fazendo de seguida o ressalte no momento em que a goulotte curva à direita. Após esta curva volta a virar à esquerda e fica mais estreita e paredes laterais mais altas. Nesta zona é possível montar a R1 na rocha da esquerda.
L2 (50m) – Desta reunião vemos a continuação do próximo lance. Saímos em frente para passar o próximo ressalte (75º) sobre esquerda. Este ressalte é um pouco mais longo, mas logo a seguir a inclinação baixa para uns 60º. A goulotte alarga transformando mais numa pala de neve. Acima uns 20 metros do ressalte temos um óptimo bloco de rocha para montar a próxima reunião. Aqui pode dar jeito ter um pitão universal pois as fissuras não são muito amigáveis para entaladores….
L3 (50m) – a partir deste ponto só temos que seguir o corredor (50º) até chegarmos à aresta que também serve de limite à face NE por onde sobe o frequentado Corredor NE. Montamos uma rápida reunião mais ou menos na linha da aresta.
O próximo lance não é propriamente um lance. É subir alguns metros e estamos na aresta E do Espiguete.
Descida – Para descer podemos descer pela aresta em direcção a este e que nos deixa próximo do parque de estacionamento. Esta descida é um pouco mais trabalhosa, pois termos que andar em cima de blocos que por vezes não são muito estáveis.
A outra opção é seguir a aresta para oeste, em direcção ao cume do Espiguete, para atingir o colo do corredor norte, por onde fizemos grande parte da subida. Se queremos ir ao cume seguimos a aresta até ao marco. Se a opção for descer de imediato, no colo do corredor norte baixamos para umas dezenas de metros abaixo voltarmos a passar na base da goulotte que acabamos de fazer. Agora é realizar todo o caminho de subida de regresso aos carros.
(© Fotos dos participantes)
Chegar – direcções no google Maps
Água – temos que trazer pois não há sitio onde abastecer ao longo da aproximação
Dormida – apesar de um pouco mais longe encontramos alguns alojamentos em Velilla del Río Carrión (como é o caso do Hostal Bar Stop, a preço bastante acessível). Também temos o Restaurante hostal El Abuelo em Camporredondo de Alba, ou então, bastante mais próximo, o Albergue El Caserón de Fuentes Carrionas em Cardaño de Abajo. Para estes dois últimos é muito aconselhável ligar a marcar. Temos ainda a possibilidade de ficar no pequeno refugio não guardado de Mazobre.
Rocha – Calcário de montanha, por vezes com zonas mais descompostas, mas de uma forma geral bastante compacto
Previsão Meteorológica






