FRAGA SUADOURO [linha de pandora]
Este lado da Fraga do Suadouro tem sido esquecido face ao sector dos Tomatinhos. Muito possivelmente o aspecto limpinho da zona de placas do sector Tomatinhos versus o aspecto “musgoso” de toda a parede à esquerda tenha grande influencia. Parte deste aspecto “verde” que esta parte da parede tem deve-se à sua orientação mais virada a norte o que faz com esta face receba muito menos sol, especialmente durante os meses mais frios e húmidos.
Com vontade de descobrir que tesouros poderiam estar por baixo da sujidade resolvemos fazer uma investida. O que se pensava ser algo fácil acabou por levar sete dias inteiros de limpezas e preparações, distribuídos ao longo de vários meses com a colaboração de umas dez pessoas!
No entanto o que surgiu valeu a pena o esforço… Algo muito diferente do que habitualmente podemos encontrar nesta fraga estava ali à espera de ser descoberto: fissuras e diedros. E quase todos eles possíveis de proteger com entaladores.
Com as surpresas que foram que foram surgindo a cada passo (sujidade, blocos soltos, formigueiros, terra e mais terra…) o nome de Pandora e a sua caixa encaixava aqui na perfeição pelo que assim ficou: Linha de Pandora.
Mas tal como na caixa a esperança manteve-se e uma excelente via surgiu.
APROXIMAÇÃO
Tal como no acesso normal para o sector dos Tomatinhos, entramos no caminho que sai um pouco antes de chegarmos à Albergaria STOP no caminho para o Pé do Cabril. Logo a seguir a passarmos no portão que impede o gado de descer à povoação (ter muita atenção em o manter fechado tal como o encontramos), desviamos à esquerda em vez de seguir em frente como seria para o sector Tomatinhos. Continuamos pelo caminho junto ao muro passando uma zona mais fechada e com pinheiros.
Quando começamos a sair da parte com pinheiros, e a ter o fim da parede do Suadouro acima das nossas cabeças, cortamos à direita, saindo do caminho, e procurando umas mariolas que nos indicam o início do desvio de acesso. Este faz uma volta de 180º em relação à direcção que vínhamos para atravessar, mais ou menos na horizontal, no sentido de um pequeno carvalhal na base da parede. Quando entramos nele viramos à esquerda para seguir um caminho mais ou menos limpo que, com algumas voltas, nos deixa no início da via.
Acesso estacionamento no Google Maps
VIA
Lance 1 (30m) – Iniciamos escalando uma laje de rocha ao lado de uma evidente fissura. Escalamos a laje em direcção à placa de aderência sobre a esquerda que liga esta com a plataforma acima (três pontos). Na plataforma saímos pela direita para alcançar um diedro acima da “Lage Tapete Voador” que nos deixa na primeira reunião (equipada).
Lance 2 (25m) – Escalamos as fissuras paralelas que encontramos à direita da reunião e que ao terminarem continuamos pela placa (um ponto) até à “plataforma Bons Sonhos”. Aqui subimos a placa à esquerda (possível proteger em fissura por baixo) em direcção à reunião (equipada).
Lance 3 (20m) – Saímos à direita da reunião através de uma chaminé que nos dá acesso à base do diedro. Nos pontos que colocamos aqui convém alongar bem senão teremos muito atrito quando estivermos no diedro, ou então retirá-los após colocar pontos à frente. O diedro começa bem vertical para depois melhorar com umas presas à direita. Todo ele é bom de se proteger com entaladores. Seguimos a linha do diedro para sair para uma grande plataforma (boas presas na saída) e encontrarmos a reunião (equipada).
Lance 4 (20m) – Começamos por uma placa vertical mais dura (um ponto) que nos deixa numa plataforma e nas placas que nos dão acesso à reunião (equipada com um ponto e possível de reforçar com friends).
Lance 5 (30m) – Escalamos a placa à esquerda da reunião que dá acesso a uma característica “Pia de Cristais” (dois pontos). No cimo desta temos uma grande plataforma que andamos até às placas de aderência finais (dois pontos) antes de chegarmos à última reunião (equipada).
DESCIDA
Podemos descer de várias maneiras. Pelas reuniões da própria via de regresso à base. Outra hipótese é pelo rappel longo que temos no sector Tomatinhos (primeiro um de 10m seguido por outro de 60m até à base). Para quem tem uma unica corda de 60m é também descer através dos rappeis da via Mundo dos Muggles (primeiro um de 10m seguido por três de +/- 25m).
![]()
Água – é necessário levar água pois não existe abastecimento perto das paredes. Dada a orientação da parede é ela pode ser extremamente quente nos dias de verão mais quentes. Mas entrando cedo é possível escalar a via à sombra antes do sol lhe bater.
Dormida – pousada da juventude, parque campismo no Campo do Gerês ou outros alojamentos nesta localidade
Rocha – bom granito com diedros, fissuras e placas de granito nos dois últimos lances. Dada a orientação e localização infelizmente é uma via que demora a secar após vários dias de chuva.
Previsão Meteorológica






