PEÑA UBIÑA [norte directa]
A via “Norte Directa”, ou “Canal Central” como também é conhecida, é uma das linhas “clássicas” da face norte deste maciço. Em conjunto com a conhecidíssima “Norte Clássica” é uma das vias mais repetidas desta face.
Tal como a “Norte Clássica”, ou a “Arrieta-Pomeda”, a “Norte Directa” sobe alguns dos canais escondidos da face norte.
No que se refere à abertura existe uma “disputa” mais recente sobre quem, e quando, efectivamente a percorreu da primeira vez. O que é habitualmente conhecido é que foi aberta em 07 Janeiro 1979 por Santiago Álvarez, Gonzalo Suárez e Juan José Iglesias Arrieta (prolifero escalador dos anos 70 criador de linhas como a linha vizinha desta – Arrieta-Pomeda – ou o Corredor do Marquez na Torre Santa Maria de Enol).
No entanto há uns 10 anos, outro escalador da mesma época, Manuel Peña Rodriguez (na altura sem estas infindáveis partilhas de informação digital), veio dar a indicação que teria escalado esta linha com outro famoso escalador asturiano – Pedro Marcos Fierro – 11 Fevereiro 1973, seis anos antes da data até então reconhecida. Guerras que possivelmente nunca serão resolvidas.
Esta é uma via que com frequência dá a ideia de que não tem neve suficiente (apesar de nos últimos anos cada vez temos tido menos acumulações). É uma daquelas vias que é necessário entrar para termos a certeza. Especialmente por causa da zona do “Embudo” que não é visível de cá de baixo.
Podemos dividir esta via em mais ou menos três zona. A primeira a entrada e rampa inicial, a segunda a zona do “Embudo” até às rampas superiores e por fim a rampas que nos conduzem até à aresta este.
Em termos de dificuldade penso que se situa entre a “Arrieta-Pomeda” – mais difícil – e a “Norte Clássica” – mais simples. As zonas mais complicadas é a cascata/misto (dependendo das condições) da entrada e passagem do “Embudo”. A ligar estas zonas existem umas palas de neves mais simples.


APROXIMAÇÃO
O acesso faz-se do refúgio de Mecin ao qual se chega desde Tuiza de Arriba. Daqui subimos o Valle de Cavarrubia, que dá acesso ao Joyos les Cabres, e que permite contornar o Cueto de les Cabres. Ao chegar às suas traseiras, e sem praticamente efectuar qualquer descida, seguimos junto da base da norte da Peña Ubiña, até atingirmos uma pala de neve que dá acesso ao inicio da rampa da esquerda para direita que caracteriza o inicio da via.
A VIA
L1 (50m) – Iniciamos subindo a rampa de neve que dá acesso ao ressalte de entrada. Aqui podemos encontrar uma pequena rimaia. Escalamos a cascata (60/70º) que dá acesso à rampa inclinada superior. A primeira reunião é habitualmente montada numa cova que existe na parede da direita. Algumas descrições mencionam a existência de dois parabolts aqui, mas nós não os encontramos.
L2 (80/90m) – O próximo lance é a passagem da rampa inclinada. Este lance pode ser feito em dois com uma reunião a meio, ou de uma vez, em cordada em movimento, protegendo devidamente na neve ou na parede da esquerda (45º). Nesta podemos encontrar alguns pitões e pontes de rocha. No final a rampa estreita (50º) uns passos de rocha /misto (ou neve em anos fartos, que são cada vez mais raros) dão-nos acesso ao característico pináculo/corno de rocha onde encontramos as cintas para rapelar para o “embudo”, e onde montamos reunião. O local não é muito confortável para estar muita gente.
L3 (50m) – Historicamente a via seguia descendo/rapelando para o “embudo” (canal em forma de funil de neve que não tem continuação para baixo) para depois atravessar para a direita e entrar num canal de gelo, neve e erva (em que a quantidade de cada um depende do ano) que nos dá acesso a um corredor mais estreito e neve que empina na sua parte superior (65º). Mais recentemente existe uma variante seguindo uma rampa/canal mais à esquerda (70º) antes da qual podemos encontrar outra reunião montada com pitões. Esta variante é mais empinada e pode mais facilmente estar seca (que foi o nossa caso). Depois do ressalte superior desta variante encontramos o canal estreito mencionado antes.
Neste canal antes da reunião podemos encontrar algum pitão na parede de rocha do lado esquerdo. Quando ele empina saímos pela direita em direcção a um bloco de rocha que floresce na neve, e onde montamos a reunião antes de entrarmos nas palas superiores.
L4 (150m) – A partir deste lance a inclinação baixa (45/50º) e permite facilmente efectuar a subia em cordada em movimento protegendo na parede de rocha do lado esquerdo. Seguimos esta até a pala entrar num canal mais estreito à esquerda. A meio deste canal encontramos um ressalte (60º) que habitualmente está coberto de gelo. É possível efectuar uma reunião antes num bloco onde encontramos um pitão de rocha. Após este ressalte resta-nos percorrer uns 30m até alcançarmos a aresta este.
Descida – Deste ponto a forma mais rápida de alcançar novamente o refúgio de Meicin é descer o canal este exactamente abaixo do ponto que entramos na aresta. No entanto este canal é dado a avalanches, especialmente após períodos de queda de neve mais acentuadas, pelo que é necessário ter isso em conta a avaliar como estará. A outra solução é subir ao marco que assiná-la o cume da Peña Ubiña e descer pelo esporão sul, bastante mais seguro, mesmo após nevadas mais intensas. No final deste esporão alcançamos o colado El Ronzón e só temos que seguir em direcção ao Alto Terreos para descer novamente ao refúgio.
(© Fotos dos participantes)
Água – podemos abastecermo-nos no refúgio
Dormida – no refúgio Mecin. Se fazemos directo desde Tuiza de Arriba podemos tentar arranjar alojamento em Campomanes ou em Pola de Lena. No entanto acrescenta uns 45/60 minutos na aproximação. É de todo aconselhável efectuar reserva de lugares no refugio já que está cheio com frequência.
Rocha – Calcário de montanha, por vezes com zonas mais descompostas, mas de uma forma geral bastante compacto
Previsão Meteorológica






